Amor é fogo que arde sem se ver 30/06/2008
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Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís Vaz de Camões
Poema escolhido pela Beatriz Martins, 7ºA,
Retirado de: http://pt.wikisource.org/wiki/Amor_%C3%A9_fogo_que_arde_sem_se_ver
Senhora, partem tão tristes 25/06/2008
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Senhora, partem tão tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
Tão tristes, tão saudosos,
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.
Partem tão tristes, os tristes,
tão fora de esperar bem
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.
João Roiz de Castelo-Branco, Cancioneiro Geral
P.S. Eu sei que este poema é “difícil”, mas como já vi que o amor é um dos vosso temas favoritos e como este poema é um dos meus preferidos da poesia portuguesa, resolvi colocá-lo aqui.
É um poema sobre a dor que o afastamento entre dois amados pode trazer. Está repleto de hipérboles, mas sem este recurso de estilo é quase impossível falar de amor, não vos parece?
Por fim, um pequeno desafio: que idade tem este poema (aproximadamente) ?
Continuação de boas férias
!
Verdes são os campos 16/06/2008
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Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.
Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.
Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.
Luís de Camões
(Um poema aos olhos verdes de uma das suas amadas)
Olhos negros 11/06/2008
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Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores…
E eles a dizer que não.
E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azuis dão muita esp’rança
Mas fiar-me eu neles, não.
Só negros, negros os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim…
Nunca mais dizem que não.
in Folhas Caídas e Outros Poemas,
de Almeida Garrett