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“A dor”, Augusto dos Anjos 06/04/2012

Posted by prof_helena in 8ºD, Ano Letivo 2011/2012.
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Chama-se a dor, e, enquanto passa, enluta

E todo o mundo que por ela passa

Há de beber a taça da cicuta

E há de beber até ao fim da taça

 

Há de beber, enxuta o olhar, enxuta

A face, o travo há de sentir, e a ameaça

Amarga dessa desgraça fruta

Que é a fruta amargosa da Desgraça!

 

E quando o mundo todo paralisa

E quando a multidão toda agoniza,

Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno.

 

De agonizante multidão rodeada,

Derrama em cada boca envenenada

Mais uma gota do fatal veneno!

 

AUGUSTO DOS ANJOS

Seleção de Luís Laranjeira, 8.ºD

“Amo como o amor ama” – Fernando Pessoa 06/04/2012

Posted by prof_helena in 8ºD, Ano Letivo 2011/2012.
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 MARIA:

Amo como o amor ama.

Não sei razão pra amar-te mais que amar-te.

Que queres que te diga mais que te amo,

Se o que quero dizer-te é que te amo?

Não procures no meu coração…

Quando te falo, dói-me que respondas

Ao que te digo e não ao meu amor. (…)

Ah, não perguntes nada, antes me fala

De tal maneira, que, se eu fora surda,

Te ouvisse toda com o coração.

Se te vejo não sei quem sou; eu amo.

Se me faltas, (…)

Mas tu fazes, amor, por me faltares

Mesmo estando comigo, pois perguntas

Quando deves amar-me. Se não amas,

Mostra-te indiferente, ou não me queiras,

Mas tu és como nunca ninguém foi,

Pois procuras o amor pra não amar,

E, se me buscas, é como se eu só fosse

O Alguém pra te falar de quem tu amas.

(…)

Quando te vi, amei-te já muito antes.

Tornei a achar-te quando te encontrei.

Nasci pra ti antes de haver o mundo.

Não há coisa feliz ou hora alegre

Que eu tenha tido pela vida fora,

Que não o fosse porque te previa,

Porque dormias nela tu futuro.(…)

E eu soube-o só depois, quando te vi,

E tive para mim melhor sentido,

E o meu passado foi como uma estrada

Iluminada pela frente, quando

O carro com lanternas vira a curva

Do caminho e já a noite é toda humana.

 (…)

Quando eu era pequena, sinto que eu

Amava-te já hoje, mas de longe,

Como as coisas se podem ver de longe,

(…)

Amor, diz qualquer coisa que eu te sinta!

 

FAUSTO:

Compreendo-te tanto que não sinto.

Oh coração exterior ao meu!

Fatalidade filha do destino

E das leis que há no fundo deste mundo!

Que és tu a mim que eu compreenda ao ponto

De o sentir…?

(….)
FERNANDO PESSOA, in Primeiro Fausto 

 Seleção de Rúben Almeida, 8.ºD

Consulta o poema integral aqui: http://arquivopessoa.net/textos/949

“Aceite-me” – autor desconhecido 30/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012.
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Aceite-me como eu sou,
porque não tenho garantias e
nem tenho a pretensão de ser alguém perfeito.
Toda a perfeição não posso ter.
Eu sou como você.
Sou da espécie humana.
Sou capaz de errar.
O erro, não é falha de caráter 
e errar faz parte da Natureza Humana.
Eu vivo, Eu sorrio e Eu também aprendo .
Meu conhecimento é incompleto .
Estou na busca o tempo todo, 
nas horas acordadas e nas e nas horas de sono.
Eu tenho um longo caminho a ser percorrido,
assim como você também tem . 
Aprendemos nossas lições pelo caminho .
Atingiremos a Sabedoria .
Assim, por favor, aceite-me como sou !
Porque eu sou só eu.
Apenas eu.
Não há ninguém igualzinho a mim no mundo .
Esta é a única garantia que dou .
É assim que eu me sinto .
Eu tenho um coração .
Abra-me e veja-o !
Por 
 Por favor , cuide bem dele .
Ele é tudo que eu sou .
Apenas eu.
Poema escolhido pela Inês Costa, 8.ºC

” As sem razões do amor” – Carlos Drummond de Andrade 29/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012.
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Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e  nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
 
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
 
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem  se ama.
Porque amor é amor a nada,
Carlos Drummond de Andrade

Poema escolhido pela Inês Costa, 8.ºC

“Amor é fogo que arde sem se ver” – de Luís de Camões 28/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºD, Ano Letivo 2011/2012.
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Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;

É um contentamento descontente;

É dor que desatina sem doer;

 

É um não querer mais que bem querer;

É solitário andar por entre a gente;

É nunca contentar-se de contente;

É cuidar que se ganha em se perder;

 

É querer estar preso por vontade;

É servir a quem vence, o vencedor;

É ter com quem nos mata lealdade.

 

Mas como causar pode seu favor

Nos corações humanos amizade,

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                            Luís de Camões


O poema mais lindo do Mundo, escolhido pela Ana Beatriz Soares Carvalheira, 8ºD.

Mais poemas deste autor AQUI.

“Autopsicografia” – Fernando Pessoa 27/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012.
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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
 
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
 
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
Fernando Pessoa

Escolha de Inês Costa, 8.ºC

“Querer” – Pablo Neruda 26/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012.
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Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda

Poema escolhido pela Quélia Ribeiro, 8.ºC

“Saudade é solidão acompanhada” – Pablo Neruda 25/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012.
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Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas o amado já…

 

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida…

 

Saudade é sentir que existe o que não existe mais…

 

Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam…

 

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:

aquela que nunca amou.

 

E esse é o maior dos sofrimentos:

não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.

 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.

Pablo Neruda

(Podes ler mais poemas deste autor AQUI.)

 

 Escolha de Inês Costa, 8.ºC

“Versos Versos! Versos! Sei lá o que são versos…” – Florbela Espanca 24/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºD, Ano Letivo 2011/2012.
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Versos Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz, cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma…

Versos!… Sei lá! Um verso é o teu olhar,
Um verso é o teu sorriso e os de Dante
Eram o teu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês…

Florbela Espanca, in “A Mensageira das Violetas”

ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS:

           Florbela Espanca nasceu em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894,e faleceu em  Matosinhos, a 8 de Dezembro de 1930, no seu trigésimo sexto aniversário. Foi batizada como Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, e foi uma poetisa portuguesa. Era filha de Antónia da Conceição Lobo e do republicano João Maria Espanca.

             Florbela tentou suicidar-se por três vezes. Não resistiu à terceira tentativa do suicídio. Faleceu em Matosinhos, no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930. A causa da morte foi a sobredose de barbitúricos.

Escolha de Bruna Pereira, 8.ºD

“Futebol” – Carlos Drummond de Andrade 24/03/2012

Posted by prof_helena in 8ºC, Ano Letivo 2011/2012, palavrasdesever.
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Futebol se joga no estádio?

Futebol se joga na praia,

futebol se joga na rua,

futebol se joga na alma.

 

A bola é a mesma: forma sacra

para craques e pernas-de-pau.

Mesma a volúpia de chutar

na delirante copa-mundo

ou no árido espaço do morro.

 

São voos de estátuas súbitas,

desenhos feéricos, bailados

de pés e troncos entrançados.

 

Instantes lúdicos: flutua

o jogador, gravado no ar

- afinal, o corpo triunfante

da triste lei da gravidade.

 

in Poesia Errante

(Podes ler mais poemas deste Grande poeta aqui.)


Poema escolhido pelo Marcelo Dias, do 8.ºC.

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